CONTRA-PAREDE

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Contra-parede apresenta em diálogo as obras dos artistas Ana Vidigal, Nuno Nunes-Ferreira e Pedro Gomes.

Partindo de uma discussão alargada em torno da parede — nomeadamente, grutas pré-históricas, fachadas dos edifícios das civilizações antigas, igrejas cristãs desde a Idade Média, fresco medieval, trompel’oeil renascentista, muro de Berlim, murais de cariz político e os grafito —, como lugar privilegiado para a intervenção no espaço público, os artistas propõem, de diferentes modos, questionar o espaço arquitetónico em que as obras são apresentadas. Considerando, simultaneamente, o espaço social, histórico, cultural e político em que os equipamentos museológicos se inserem, as obras promoverão um diálogo frutífero sobre o papel da arte junto das comunidades locais em que se apresentam.

Ana Vidigal, atendendo às questões domésticas e feministas do seu trabalho, desenvolveu obras que implicam um humorístico sentido político e que indagam o debate pertinente entre os domínios público e privado. Nuno Nunes-Ferreira, com recurso ao seu imenso arquivo de jornais e revistas, realizou um mural que alude às questões políticas do Estado Novo e a prevalência da liberdade onde a voz e o discurso individual se encontram como um bem comunitário. Pedro Gomes apresenta desenhos por módulos, imagens que se podem estender como papel de parede, que confrontam o espaço arquitetónico através de representações dos dispositivos históricos museográficos recorrentes entre o século XIX e o cubo branco do século XX.

Adicionando o prefixo “contra” a “parede” recorre-se ironicamente à contradição para infringir um confronto com as instituições que se erguem através das estruturas arquitetónicas e dos seus significados de poder. De facto, ao cobrir a parede e ao ocupar a quase totalidade do espaço expositivo, as obras apresentadas no projeto Contra-parede conquistam espaço de visibilidade que através da intervenção ativa dos artistas e do público como espetadores informados, se revelam espaços subvertidos de contra-poder.

Palácio da Galeria / Museu Municipal de Tavira
Sáb, 10/04/2021 - 09:30 até Sáb, 10/07/2021 - 12:30
Curadoria:
Hugo Dinis
Tema:
  • ANA VIDIGAL nasceu em 1960, em Lisboa.

    Licenciatura em Pintura ESBAL em 1984. Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian (1985–1987). Estágio de Gravura em Metal com Bartolomeu Cid, Casa das Artes de Tavira (1989). Pintora residente do Museu de Arte Contemporânea— Fortaleza de São Tiago, Funchal (1998/1999). Residência artística em Ifitry, Marrocos, em 2013. Em 2018, a convite da Embaixada de Portugal na Colômbia, efetuou duas masterclass em Bogotá (Universidad de los Andes e FLORA ars+natura), e um site-specific (Universidad de los Andes).

    Expõe individualmente desde 1981, das quais se destacam das mais recentes: Universidade dos Andes, Bogotá (2018); Galeria Espacio Minimo, Madrid, (2018); Museu Leopoldo de Almeida, Caldas da Rainha (2019); e Galeria Fernando Santos, Porto (2020). Em 2010, a Fundação Calouste Gulbenkian realizou a sua primeira exposição antológica Menina Limpa Menina Suja, com curadoria de Isabel Carlos. Em 2020, realizou as exposições individuais Arpad e as Cinco, na Fundação Arpad Szénes- -Vieira da Silva, Lisboa e 20 Anos Depois, na Casa das Mudas | Museu de Arte Contemporânea da Madeira.

    A sua obra está presente em várias coleções públicas e privadas: Fundação PLMJ, Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Coleção de Arte Fundação EDP, Lisboa; MNAC - Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa; Coleção da Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; Museu Coleção Berardo, Lisboa; Coleção António Cachola, MACE - Museu de Arte Contemporânea de Elvas; entre outras.

     

    NUNO NUNES-FERREIRA nasceu em 1976, em Lisboa. Vive e trabalha em Santarém.

    Expõe individualmente regularmente desde 2000, de que se destacam das mais recentes: dois anos e meio, Balcony Contemporary Art Gallery, Lisboa (2019); A qué hora comienza la revolución?, Galeria Juan Silió, Santander, Espanha (2017); e 1440 minutos, Galeria Baginski, Lisboa. Participou em inúmeras exposições coletivas, de onde se destacam: Alianza del ojo y del alma, Centro Cultural “Los Arenales”, Biblioteca y Archivo de Cantanria, Santander (2019); crónicas del mundo actual, Fundación Valentin de Madariaga, Sevilha, Espanha (2018); O que eu sou, MAAT, Lisboa (2017); Portugal em Flagrante, Operação 1, 2 e 3, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa (2017); Rehabitar el espacio: presente, passado y futuro, Colección DKV, Museu Lázaro Galdiano, Madrid, Espanha.

    Os seus trabalhos estão presentes em diversas coleções entre as quais de destacam: Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, IVAM – Institut Valencià d’Art Modern, Fundación Hortensia Herrero; Colección Norte de Arte Contemporáneo, Fundación Focus Abengoa, Fundació Sorigué, Colección DKV, Fundação Bienal de Cerveira, Museo de Arte Moderno y Contemporáneo de Santander, Liberty Seguros, Colección Olor Visual, Colección ACB, e Juan Uslé.

     

    PEDRO GOMES nasceu em 1972, em Moçambique.

    Vive e trabalha em Lisboa. MFA pelo Chelsea College of Art (Londres) e Curso Avançado do Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual (Lisboa). Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa). Em 2020 realizou uma exposição antológica, intitulada Encontro às Cegas no MNAC - Museu Nacional de Arte Contemporânea em Lisboa. Das exposições individuais que realizou, destacam-se das mais recentes:

    A óptica do utilizador, Appleton Square, Lisboa (2019); Um Quarenta, Galeria Diferença, Lisboa (2018); Urbe, Fundação Arpad Szénes-Vieira da Silva, Lisboa (2018); 16 de Setembro, Galeria Presença, Porto (2017); A Torre, Galeria Miguel Nabinho, Lisboa (2016); e Inscape, na Galeria Presença, Porto (2016). Das exposições coletivas em que participou, dá-se destaque: O Desenho Incerto - Cinco leituras do espaço, Colégio das Artes, Coimbra (2020); Germinal. O núcleo Cabrita Reis na Coleção de Arte da Fundação EDP, MAAT, Lisboa (2018); Quatro Elementos, Galeria Municipal do Porto, Porto (2017); Uma coleção = um Museu, MACE - Museu de Arte Contemporânea de Elvas, Elvas (2017); e As Casas na Coleção do CAM, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2016).

    Está representado em várias coleções públicas e privadas, tais como:

    Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Coleção António Cachola, MACE - Museu de Arte Contemporânea de Elvas; Coleção de Arte Fundação EDP, Lisboa; MUDAS - Museu de Arte Contemporânea da Madeira; Fundação PLMJ, Lisboa; Fundação Leal Rios, Lisboa; Coleção de Arte do Estado, Portugal; entre outras.

  • FICHA TÉCNICA

    CONTRA-PAREDE

    ARTISTAS

    Ana Vidigal

    Nuno Nunes-Ferreira

    Pedro Gomes

    CURADORIA

    Hugo Dinis

    COMUNICAÇÃO

    Marta Rema

    GESTÃO DO SÍTIO

    Miguel Leal

    PARCEIRO MÉDIA

    Umbigo

    ORGANIZAÇÃO

    efabula

    PROJETO FINANCIADO

    República Portuguesa - Cultura |

    DGARTES - Direção-Geral das Artes

    AGRADECIMENTOS

    Elisabete Martins, Lucinda Correia,

    Mário Soares, Rui Dias Monteiro,

    Sílvia Guerra, Susana Castelo

    MUSEU MUNICIPAL DE TAVIRA

    DIREÇÃO

    Cristina Neto

    PRODUÇÃO E COORDENAÇÃO EXPOSITIVA

    Sofia Motta

    INVESTIGAÇÃO DO TERRITÓRIO/ PATRIMÓNIO CULTURAL

    Corina Romeira

    Daniel Santana

    CONSERVAÇÃO E RESTAURO

    Leonor Esteban

    SERVIÇO EDUCATIVO

    Patrícia Gonçalves

    SERVIÇO DE ARQUEOLOGIA

    ARQUEÓLOGOS: Celso Candeias,

    Jaquelina Covaneiro, Sandra Cavaco

    ASSISTENTES TÉCNICOS: Ana Vieira

    TÉCNICOS E AUXILIARES DE MUSEOGRAFIA

    Alfredo Faleiro, Anabela Jesus, Ana Estefânia,

    Carlos Pires, Custódio Mestre, José Gregório,

    Paula Peleja, Tolentino Ribeiros

    ARTISTAS

    Ana Vidigal

    Nuno Nunes-Ferreira

    Pedro Gomes

    CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO

    Cecília Dias

    SECRETARIADO

    Ismael Dias, Luísa Simão, Pedro Santos

    AUXILIARES

    Antonieta Luz, Almerinda Duarte

    DESIGN GRÁFICO

    Cristina Palma

    IMPRESSÃO

    Gráfica Comercial