A Natureza Detesta Linhas Rectas

...

Gabriela Albergaria (Vale de Cambra, 1965) tem vindo a desenvolver um percurso centrado nas questões da relação com a natureza e a forma como a representamos. A Natureza Detesta Linhas Rectas é a primeira exposição antológica da artista, percorrendo os últimos 18 anos do seu trabalho, nos vários suportes que tem vindo a utilizar, desde a escultura, ao desenho, passando pela fotografia e pela produção de múltiplos.

A questão central que a exposição apresenta é a da zona de fronteira e conflito entre a Natureza e o processo moderno da sua apropriação e dominação, tratada a partir de várias situações que recorrem à história das migrações das espécies vegetais, à sua utilização cultural e económica e, por fim, à sua violenta exploração. O campo de trabalho e pesquisa de Gabriela Albergaria tem sido, portanto, a Paisagem, entendida como construção humana, como organização estética, económica e sociocultural do território, não só marcada historicamente, mas também investida de sentidos políticos. O exemplo dos jardins está sempre presente, sobretudo porque, fazendo parte da nossa forma urbana de contacto com o natural, os jardins são de facto zonas complexas de negociação entre o desenho da sua arquitetura e as necessidades lúdicas, científicas ou celebratórias que presidiram à sua edificação. Tendo vindo a constituir um dos campos de pesquisa mais importantes para Gabriela Albergaria, os jardins encontram-se permanentemente aludidos nas obras híbridas e simbióticas presentes nas várias salas da exposição.

Além da reconstituição de uma obra de grande envergadura, central no percurso da artista, a exposição apresenta conjuntos de peças que resultaram de viagens realizadas na Amazónia ou no Redwood National Park, parque florestal norte-americano onde proliferam algumas das espécies mais marcantes desse continente. É nelas que se revela de forma particularmente clara o impulso da artista para a inventariação e para o conhecimento quase científico dos mais diversos fenómenos do mundo vegetal – um conhecimento empático e empenhado em estabelecer relações materiais, estéticas e discursivas que nos revelem outras perspetivas sobre o nosso lugar e o nosso papel face ao mundo natural. A Natureza Detesta Linhas Rectas é, portanto, não só uma reflexão crítica sobre a nossa relação com o natural, mas também sobre a forma como encaramos a representação da natureza e do seu tempo em nós.

A Natureza Detesta Linhas Rectas é organizada pela Culturgest, em Lisboa, onde foi apresentada pela primeira vez entre o Outono de 2020 e a Primavera de 2021. A exposição reúne 27 obras, algumas delas produzidas especificamente para esta ocasião, pertencentes a diferentes coleções particulares e institucionais, como a Coleção de Arte Contemporânea do Estado ou a Coleção da Caixa Geral de Depósitos, e inclui ainda um pequeno vídeo documental com uma seleção de projectos que a artista realizou no espaço público. 

O catálogo da exposição, numa edição bilingue português/inglês, reproduz a viagem que Gabriela Albergaria e Delfim Sardo desenharam inicialmente para as salas da Culturgest e agora repensaram para o Museu Municipal de Tavira. A acompanhar as vistas da exposição, os textos de Delfim Sardo, Lúcia G. Lohmann, Mariana Pestana e Afonso Cruz explanam diferentes abordagens ao universo da artista e ao conjunto de obras que a exposição permitiu revisitar, contribuindo para um documento que inclui ainda uma secção dedicada aos mais significativos projetos públicos que Albergaria realizou um pouco por todo o mundo. 

 

Museu Municipal de Tavira - Palácio da Galeria
Sáb, 14/05/2022 - 17:00 até Sáb, 08/10/2022 - 16:30
Curadoria:
Delfim Sardo
  • Gabriela Albergaria (Vale de Cambra, 1965) é uma artista plástica de origem portuguesa radicada em Nova Iorque, EUA, desde 2011. Licenciou-se em pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

    O trabalho artístico de Gabriela Albergaria reflete sobre o conceito de paisagem a partir de uma combinação entre fotografia, desenho, escultura e instalação[2]. As suas obras apresentam uma ambiguidade entre o conceito de natural e de natureza. Os seus projetos artísticos fazem pensar sobre a relação das sociedades humanas e o meio envolvente.

    A obra de Gabriela Albergaria pertence a várias coleções: Colecção Luís Augusto Teixeira de Freitas, Portugal, Museu de Arte Moderna da Bahía, Brasil, KFW Bankenngrupe, Germany, Fundação Calouste Gulbenkian, Portugal, Perez collection, Miami, FL, Coleção Navacerrada, Espanha, Coleção Coca Cola, Espanha, Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil.

    1.   

     «Up Magazine – TAP Portugal  » Gabriela Albergaria – O cultivo da arte». upmagazine-tap.com. Consultado em 4 de julho de 2018

    2.   

     Marmeleira, José. «Artes. Os paraísos artificiais de Gabriela Albergaria». PÚBLICO

    3.   

     «Capela do Rato: Diálogo Arte Contemporânea e Sagrado prossegue com obra de Gabriela Albergaria | Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura»www.snpcultura.org. Consultado em 4 de julho de 2018

    4.   

     Serviço Educativo. «Ah, finalmente, natureza de Gabriela Albergaria» (PDF). Fundação Eugénio de Almeida. Consultado em 4 de julho 2018

    5.   

     Portugal, Rádio e Televisão de. «Gabriela Albergaria - Entre Imagens - Documentários - RTP»www.rtp.pt. Consultado em 4 de julho de 2018

    6.   

     Lusa, RTP, Rádio e Televisão de Portugal -. «Mostra de Gabriela Albergaria em São Paulo em diálogo com obra de paisagista brasileiro»

    7.   

     «Nova Iorque: Exposição de Gabriela Albergaria explora ligação do Homem à Natureza - BOM DIA». BOM DIA. 1 de março de 2017

    8.   

     Group, Global Media (17 de maio de 2018). «Gabriela Albergaria tem uma parede só dela na feira ARCO». DN

     

  • Museu Municipal de Tavira

     Cordenação geral

    Cristina Neto

    Coordenação e Produção

    Sofia Motta

    Grafismo

    Teresa Barros

    Montagem

    Alfredo Faleiro

    Carlos Pires

    José Gregorio

    Ana Almeida

    Custódio Mestre

    Paula Peleja

     

    CULTURGEST

     Direção de Produção

    Mário Valente

    Produção

    Fernando Teixeira

    Sílvia Gomes

    Estagiário

    João Reis

    Montagem

    Equipa Maria Torrado

    Fernando Teixeira

     

    Seguros

    Caravela - Companhia de Seguros, SA