Caminho | A reconstrução da memória.

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Todos nós trabalhamos sobre as aprendizagens adquiridas e os seus registos em memória. No meu trabalho enquanto escultor isso é igual, só que, não consigo estabelecer uma relação direta entre a origem e o resultado final. A origem ou as origens permanecem muitas vezes não identificadas, adulteradas, misteriosamente misturadas o que proporciona que cada surgimento de uma nova escultura seja a surpresa da descoberta de um novo ser.

A escultura é sobre a relação ideia-matéria. É uma relação que se estabelece nos dois sentidos. Se as ideias condicionam a matéria, a matéria abre possibilidades na concretização das ideias.

Embora a minha primeira exposição individual tenha sido em 1987 e tenha trabalhado intensamente em pedra e em bronze esta exposição é sobre os vários percursos do meu trabalho nos últimos 13 anos, altura em que o ferro e as suas possibilidades construtivas entraram na minha linguagem. 

Cada escultura minha corresponde a um corpo de origem única que cresceu e se desenvolveu a partir de uma tensão interior e que pode aceitar objetos exteriores e integrando-os como utensílios.

Os objetos falam e por vezes seguem-nos os gestos (como que por mimica). Podemos pensa-los a partir do seu interior, como se estivéssemos dentro de um espaço arquitetónico, ou a partir de uma visão exterior em que eles estabelecem relações de parentesco, organizam sequências ou indicam percursos. 

Esta exposição explora também a relação entre o corpo da escultura e o desenho na superfície da parede, o corpo da escultura e a sua sombra coreografada.

No pátio exterior podemos encontrar um desenho verdadeiramente tridimensional “Desenhamos o espaço que habitamos”.

Este é um trabalho muito meu enquanto autor, mas cada escultura só ficará verdadeiramente concluída quando o observador a completar com a sua visão pessoal, a sua sensibilidade e a sua cultura.

 

Palácio da Galeria
Sáb, 29/01/2022 - 09:30 até Sáb, 16/04/2022 - 16:30
Artistas:
Curadoria:
Rui Matos
Tema:
  • Rui Matos que nasceu em Lisboa em 1959, reside e trabalha em Portugal, próximo de Sintra, sendo atualmente um artista de referência no mundo das artes pelas suas originais esculturas. Frequentou o Curso de Escultura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e em 1993, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

    No ano de 1987 realizou a sua primeira exposição individual, com esculturas em ardósia, seguida da ”Primeira Ilha” e “Mediterrâneo”, com peças em gesso e bronze. Em 1991, a pedra é já o seu médium de trabalho, como comprovam as exposições “Enormidade, Sequência e Naufrágio”, “Transformações - Relatos Insertos”, “Objetos de Memória” ou ”Histórias Incompletas”. Em 2008 é, finalmente, a vez do ferro se assumir como matéria-prima principal da produção de Rui Matos com as mostras individuais “A Pele das Coisas”, “Transformo-me Naquilo que Toco”, “Por dentro” ou ”Transmutações”.