Bandeira da Filarmónica 1º de Janeiro de 1896 (Os Limpinhos)
No mês em que se assinalam os 130 anos da constituição da Filarmónica 1º de Janeiro de 1896, cujos músicos eram popularmente conhecidos pelo epíteto d’Os Limpinhos, o Museu Municipal de Tavira partilha a bandeira daquela que foi a primeira banda civil criada na cidade, com atividade documentada entre 1896 e 1927.
Criada por iniciativa dos tavirenses João Francisco Leiria, Francisco de Assis Leiria, José Mendes Silvestre e João Rodrigues da Gama, à data jovens alunos de música e canto do mestre de capela José Pedro Alexandrino de Almeida, a banda filarmónica 1º de Janeiro de 1896 fica interinamente instalada no Largo de São Francisco, num prédio da família do referido João Rodrigues da Gama, onde os músicos se reúnem e ensaiam. Fruto do interesse que a criação da banda desperta junto da sociedade tavirense, o grupo cresce e acaba por constituir-se como uma sociedade recreativa musical, cobrando quotas cujo valor (meramente simbólico) é utilizado para financiar a compra de instrumentos e fardamentos para os músicos.
A filarmónica tavirense começa por atuar publicamente em Tavira (na cidade e nas freguesias rurais), depois noutros pontos do Algarve e, eventualmente, até fora de fronteiras, na localidade andaluza de Ayamonte. Segundo a tradição, a curiosa alcunha d’Os Limpinhos, pela qual era popularmente conhecida a filarmónica 1º de Janeiro de 1896, terá sido atribuída após uma atuação, em Faro, no decurso da qual os músicos de Tavira, de fato preto, laço branco, chapéu e instrumentos polidos, se destacam pelo aprumo e impecável asseio.
Durante as suas três décadas de atividade, com a regência da banda a ser assumida primeiro por José Pedro Alexandrino de Almeida, depois por José Joaquim Correia e, finalmente, por João Guerreiro, Os Limpinhos atuam em todo o tipo de eventos públicos, incluindo concertos ao ar livre (no coreto), bailes, acompanhamento musical de procissões, comícios, jogos de futebol e até funerais, marcam presença em momentos marcantes da história da cidade, como seja a chegada do comboio a Tavira (1905) ou a implantação da República (1910), e chegam a tomar parte em competições.
A filarmónica 1º de Janeiro de 1896 terá sido oficialmente extinta em 1927, ano em que se noticia na imprensa local a venda de todos os “instrumentos, fardamentos completos, arquivo para músicas e músicas e todo o mobiliário pertencentes à extinta filarmónica 1º de Janeiro de 1896 (Limpinhos)”, passando alguns dos seus antigos membros a integrar a recém-constituída Banda Municipal de Tavira (1925).
Do espólio da filarmónica civil fundada no final do século XIX, por um grupo de jovens tavirenses, resta-nos hoje a bandeira do antigo “Club Recreativo Musical 1º de Janeiro, vulgo Limpinhos”, que desde a extinção do agrupamento musical fica à guarda da família Leiria e que em 1960, por iniciativa de José Joaquim Leiria (irmão de dois dos fundadores e também integrante do grupo), é oferecida à Câmara Municipal de Tavira, à data presidida pelo Dr. Jorge Augusto Correia.
A bandeira de dupla face da filarmónica, que terá acompanhado a banda nas suas atuações, tem cerca de 1,65 metros de comprimento e 1,25 metros de largura, é feita de seda (cetim) de duas cores (branco e azul, as cores da bandeira monárquica) e apresenta legenda e motivos decorativos bordados. Numa das faces, dentro de uma coroa de louros cingida por um laço de cor rosa, foi bordado, em fio de cor dourada, o nome da filarmónica “1º de Janeiro de 1896” e “Tavira”, remetendo para a data de fundação da banda de música e para a sua terra de origem. Na face oposta foi representada uma lira, símbolo da Música e da Poesia, envolvida por uma coroa de louros cingida por um laço, e inscrito o título de “Club Recreativo Musical”, remetendo para a natureza da associação. De acordo com a informação disponível, esta bandeira foi executada algures na transição do século XIX para o século XX, coincidindo com a fundação da filarmónica, na cidade do Porto.
(Museu Municipal de Tavira, MMT3373)

