Díptico Ilha de Tavira: um sítio, dois momentos
Neste verão, o Museu Municipal de Tavira destaca uma das obras da sua coleção de fotografia contemporânea: o díptico Ilha de Tavira, de Luís Ramos, apresentado na exposição Lapso de Tempo, patente no Palácio da Galeria entre 29 de janeiro e 2 de abril de 2011.
Constituído por duas fotografias do cais da Ilha de Tavira, captadas a 3 de agosto de 2008 e a 4 de maio de 2009, este díptico integrou a exposição Lapso de Tempo, composta por trinta dípticos realizados em praias de norte a sul do país. O projeto explorava os ciclos de ocupação do litoral português e as transformações da paisagem provocadas pela mobilidade sazonal da população. Sem recorrer a qualquer dramatização, Luís Ramos convida o observador a refletir sobre a relação entre o território, o turismo e o tempo.
Nas palavras de João Pinharanda, no catálogo da exposição Lapso de Tempo (2011): "o que parecia ser igual torna-se afinal diferente: o «lapso de tempo» que o título refere é verdadeiramente um salto no tempo, uma viagem a/em dois tempos."
Na fotografia da direita, o cais surge repleto de visitantes que aguardam o embarque para a ilha durante a época balnear, uma imagem de agosto em Tavira que já se repete há várias décadas. À esquerda, fotografado meses mais tarde, o mesmo local encontra-se praticamente despido de pessoas, revelando uma paisagem tranquila onde sobressaem a estrutura do cais e a envolvente natural da Ria Formosa.
Através da repetição do enquadramento, Luís Ramos evidencia a profunda transformação que a sazonalidade imprime ao litoral algarvio. A paisagem permanece praticamente inalterada, mas a presença humana modifica completamente o "sítio", refletindo os ritmos do turismo contemporâneo e a alternância entre os períodos de maior afluência e de aparente quietude.
Luís Ramos nasceu em Lisboa, em 1965, onde estudou Fotografia no AR.CO – Centro de Arte e Comunicação Visual, e Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema. Iniciou o seu percurso profissional no jornal Expresso e, mais tarde, no Público, jornal do qual foi membro da equipa fundadora, fotojornalista e editor de fotografia. Desde 2006 dedica-se exclusivamente ao desenvolvimento de projetos fotográficos independentes, apresentados em Portugal e no estrangeiro. Ao longo da sua carreira, foi distinguido com dois Fuji Euro Press Photo Awards, vários Prémios Visão de Fotojornalismo e, em 2021, com o Prémio Transversalidades. A sua obra integra importantes coleções de arte públicas e privadas, entre as quais a do Museu Municipal de Tavira.
Integrada na coleção do Museu Municipal de Tavira após a exposição, Ilha de Tavira constitui um testemunho da fotografia contemporânea portuguesa e da importância do Palácio da Galeria enquanto espaço de apresentação e valorização da criação artística atual. Simultaneamente, documenta uma realidade profundamente ligada à identidade de Tavira, onde a Ilha continua a representar um dos principais símbolos da vivência estival do concelho.
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Ficha técnica:
Museu Municipal de Tavira (Inv. MMT3507)
Autor: Luís Ramos
Título: Ilha de Tavira
Data: 2008–2009
Técnica: Díptico fotográfico (impressão a jato de tinta sobre papel fotográfico)
Dimensões: 50 × 120 cm
